segunda-feira, 7 de maio de 2012
Valarion Miniaron, o “paladino” do Caos.
Alihanna de Pelor
Desde as mais remotas memórias da minha infância, sempre o meu pai. Sempre o Sol.
Não conheci meus pais biológicos e não sei o que aconteceu com eles. Sei que eu fui mais uma órfã deixada às portas do templo de Pelor para ser criada pelos Sacerdotes do Sol. Uma escolha apropriada, já que ainda bebê meus traços demonstravam que eu não era normal - algo em mim, ainda que talvez fosse uma pequena parte, não era deste plano. Meus olhos por si só denunciavam o fato: olhos sem íris nem pupilas, globos dourados que remetiam aos Anjos Solares.
Desta forma, pareceu adequado que eu fosse criada no templo de Pelor. Mais que isso, pareceu adequado que não só eu recebesse educação e um ofício para que eu pudesse ir embora quando me tornasse adulta. Não. Alguém como eu só poderia ter chegado àquele templo por algum desígnio divino. Os clérigos de Pelor interpretaram que a minha presença ali era um claro sinal de que eu deveria ser educada e treinada para o sacerdócio e para a cura em nome do Sol.
Até a minha primeira infância, eu acreditei piamente nisso. Vivia no templo, os ensinamentos dos mestres eram a minha vida, fui educada nos primeiros mistérios de Pelor. Quando não estava estudando ou aprimorando minhas habilidades, eu meditava - os Mestres diziam que eu deveria aprender a controlar a chama das emoções em meu coração se quisesse encontrar a serenidade. Eles diziam que se eu encontrasse a serenidade, estaria mais próxima do deus.
E eu sempre busquei a harmonia trazida pela meditação, ainda que fosse difícil, essencialmente na infância. No início da minha adolescência, era permitido que eu deixasse o templo para meditar em locais diferentes - bosques, fazendas, vilarejos, campinas. Os mestres diziam que eu devia aprender a controlar minha mente independente de onde eu estivesse, e que devia aprender a encontrar a luz de Pelor em todos os lugares. Assim eu fazia.
Numa dessas vezes, eu fui à um moinho abandonado. Procurei um lugar tranquilo e sentei-me para meditar. Não tardou para que a minha concentração fosse interrompida pelos sons rudes de uma discussão. Decidi procurar para ver o que acontecia. Não muito perto dali, dois rapazes humanos (pouco mais velhos do que eu) surravam uma criança esfarrapada, que pedia misericórdia. O menino magro e desarmado não era páreo para os dois grandalhões que usavam bastões para espancá-lo até a morte.
Não pude olhar aquilo e manter-me neutra. Um calor que eu nunca havia sentido antes tomou conta de mim, e a única coisa na qual eu pude pensar foi que a criança não podia ficar desprotegida. Era a minha obrigação defendê-la.
Apaguei.
Quando eu acordei, estava num ambiente luminoso. A sala com altas colunas de mármore branco e resplandecente lembrava vagamente o Salão Maior do templo de Pelor, porém parecia... mais. Não sei dizer. Levantei do chão, sentindo-me ofuscada pela forte luz do sol que entrava pelos vãos. Pude ver ao longe, parado no altar, uma silhueta. Presumi que aquele era o Sumo Sacerdote, porém não podia ver-lhe o rosto devido à claridade branca e dourada. E no entanto, algo em meu coração dizia que aquele não era o sumo sacerdote. Eu sabia que o único motivo para eu ter sido levada até o maior dos mestres era porque eu tinha que ser advertida por falhar na minha meditação.
- Senhor, - eu disse - Desculpa-me. Eu falhei. Não fui capaz de manter minha concentração conforme foi designado.
- Não te preocupas, minha criança. - Ele disse. Não era a voz do Sumo Sacerdote. Era uma voz mais imponente e profunda, que tocou fundo em minha alma. Ouvi-la me deu vontade de chorar, tamanha a alegria e beleza que ela trazia para minha alma.
- Mas eu falhei, meu senhor. Falhei na minha meditação. Como posso estar com Pelor se não me concentro na meditação?
Não pude ver a expressão do estranho, mas senti que ele sorria. O sorriso dele aqueceu minha alma.
- Existem várias formas de encontrar teu deus, minha criança.
- Não compreendo.
- Quando enches tua alma de bondade e luz e amplifica tais sentimentos com a tua meditação, então aí está Pelor. Quando usa tuas mãos para curar os doentes, aí está Pelor. Quando levas a luz da esperança onde há o caos e a escuridão, aí está Pelor. Quando tu Quando tu demonstras gentileza, misericórdia e compaixão para aqueles que estão ao teu redor, então aí está Pelor. Quando tu ergues teu braço para derrubar um corrupto, aí está Pelor.
Ele desceu os degraus do altar e eu comecei a visualizar os traços do estranho. Ele era um homem alto e idoso, mais idoso ainda que os sacerdotes anciãos. A barba e os cabelos eram longos e dourados, assim como os olhos, brilhantes e poderosos. E ainda que ele vestisse um robe longo e simples de tecido branco, tudo nele transparecia realeza.
Não. Transparecia mais do que realeza. De repente eu soube quem ele era. Caí de joelhos.
- Quando tu, mesmo em desvantagem, levantas para defender um fraco, aí então está Pelor. Não foi a ira cega que guiou teu corpo, criança. Foi o calor da minha justiça.
- Senhor, eu... não sei o que dizer.
- Não digas. - Pelor respondeu. - Sinta. Existem várias maneiras de servir, e nenhuma delas é mais ou menos digna que as outras. Somos todos servos, criança. Todos nós estamos aqui para servir ao bem e para sermos instrumentos para a sua realização.
- Eu quero servir, meu senhor. Quero servir aos vossos desígnios, quero ser instrumento para que seja feita a vossa vontade.
- E assim será, criança. Porém não através da meditação e da clausura num templo. Tu servirás ao meus desígnios sendo um braço forte na minha luta contra o mau. Tu juras, Alihanna, defender os oprimidos e lutar para ser a luz na escuridão? Juras que a tua espada sempre estará à disposição daqueles que são bons e que a sua dedicação estará sempre em servir aqueles que de ti precisarem? Jura ser honesta e humilde, sempre verdadeira e sempre leal aos meus princípios.
- Eu juro, meu senhor. - Disse, ainda de joelhos no mármore branco. - Juro com toda a minha alma.
Pelor adiantou-se, ajoelhou à minha frente e tocou-me próximo do coração. Senti meu peito aquecer e queimar, ainda que eu não sentisse a dor da queimadura.
- Então que assim seja, Alihanna. Vá, volte e torne-se um instrumento da minha vontade.
Eu abri os olhos e estava no meu catre de volta ao templo. Eu respirava fundo e rápido, surpresa. Aquilo teria sido um sonho? Meu peito ainda estava quente no lugar onde Pelor havia me tocado. Abri a túnica para encontrar ali uma queimadura cicatrizada no símbolo do deus do sol. Quando olhei em volta, o sumo sacerdote estava sentado próximo.
- Como eu vim parar aqui?
- Você está no templo. Esteve dormindo, Alihanna. Dormiu durante quinze dias. - ele respondeu. - Eu esperei. Queria estar aqui quando você acordasse.
Cocei a cabeça. Minhas últimas lembranças, as mais nítidas, eram aquelas junto de Pelor. Forcei minha mente até lembrar do moinho, ou do pouco que eu sabia. - Eu estava meditando quando ouvi aquela criança gritar, os dois grandalhões a surravam, eles iriam matá-la...
O Sumo Sacerdote me interrompeu. - Você jogou-se sozinha e desarmada contra dois rapazes mais velhos que você e armados com bordões, criança. E, de uma forma que nenhum de nós pode explicar, conseguiu subestimá-los. Talvez você os tivesse matado, caso o acólito Raynard não estivesse por perto, tivesse ouvido os sons da briga e apartado tudo aquilo. Diga-me, Alihanna: você treinou esses movimentos de luta sozinha? Por acaso esteve brigando sem que me eu soubesse?
- Não mestre, eu jamais faria isso. - respondi - Mas também não sei explicar o que eu fiz. Quando eu percebi, meus pensamentos não estavam mais lá. Não lembro de nada disso.
Contei meu sonho ao Sumo Sacerdote, em todos os detalhes, e terminei mostrando a marca de queimadura sobre o meu peito. Ele ouviu sem demonstrar expressão nenhuma, assentindo sempre. Quando eu terminei minha narrativa, tudo que ele disse foi um "Compreendo." E deixou-me sozinha. Segui minha rotina por alguns dias e descobri logo que não saíra incólume da briga. Descobri que tinha tido uma concussão e que minha cabeça ainda latejava, e que meu punho direito estava quebrado.
Dez dias depois do meu despertar, fui chamada à presença do Sumo Sacerdote. Ele me aguardava no Grande Salão do templo, porém não estava só. Eu não conhecia o cavaleiro que estava ao seu lado, porém pressentia a aura de poder e nobreza que dele emanava.
- Alihanna, este é Galanor, o Dourado. Ele é um Paladino de Pelor. Eu entrei em contato quando você contou sobre a sua revelação, e ele chegou. Está claro que não é aqui que você deve servir ao Radiante, portanto, você deve seguir e acompanhar Galanor como escudeira. Ele lhe treinará e educará até que você esteja pronta para servir à Pelor por conta própria.
E assim foi. Sir Galanor levou-me com ele e eu fui sua escudeira durante anos. Através dele aprendi a usar a espada e o arco. Aprendi a detectar e combater o mal e aprendi a curar maldições e doenças. Aprendi meu código de honra e conduta. Aprendi um caminho diferente para servir ao meu deus, e estar ali, em combate direto com as forças da escuridão, encheu-me de certeza de que aquele era o propósito da minha vida.
Quando Galanor partiu desta vida, deixou-me seus pertences. Dentre eles, o mais importante e poderoso foi a sua espada, a Holy Avenger, a Vingadora Sagrada, desespero dos malignos.
E aqui eu estou. Onde eu puder ser a luz que rompe a escuridão, irradiando o poder e o calor do Sol, então lá eu estarei.
E que a luz de Pelor ilumine sempre o seu caminho.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Evey Lainhûr, a barda
Conhecendo de forma tão íntima o poder da música bárdica, como poderia um menestrel ousar transformar sua própria história em canção? Pois bem, aqui estou eu, Evey Lainhûr, e com uma humilde reverência preparo-me para contar de onde eu vim. Sintam-se honrados, ouvintes, pois poucas pessoas tiveram o privilégio de ouvir as palavras que estão prestes a ouvir.
Não nasci com este nome, mas tampouco sei se poderia receber o nome de meu pai. Lars Alendronel era (ainda é, acredito eu) um pequeno nobre de um lugar longe daqui. Um homem justo e honrado, que assumiu cedo sua responsabilidade e que, como quase todos aqueles de jovens corações, deixava-se levar pelo ímpeto e pelo sentimento.
Sobre minha mãe eu pouco sei. Quase não tive contato com ela e o conhecimento que juntei foi reunido através de rumores e fofocas das criadas do castelo de meu pai. Ela era uma viajante, uma andarilha que trocava suas histórias e canções por abrigo e uma boa conversa. Por algum tempo ela ficou no castelo de Lorde Lars e ambos tiveram um caso que durou algum tempo - até que ela sumiu sem pistas, sem notícias, sem um adeus. Meses depois um cesto foi deixado aos portões do palácio, e eu estava nesse cesto, recém-nascida, desamparada, trazendo um medalhão gasto de prata com o símbolo de Olidammara e uma mensagem de minha mãe dirigida a Lorde Lars, "lamento, mas meu coração é livre, e eu jamais poderia apegar-me nem a ti, tampouco a esta criança." Nunca soube mais nada a seu respeito (e como Lorde Lars proibiu expressamente que o nome dela ou qualquer coisa sobre ela fosse dita, principalmente depois que eu comecei a fazer perguntas, sempre foi meio complicado conseguir essas informações).
A escolha de minha mãe em deixar-me junto de meu pai foi sensata, uma vez que Lorde Lars era um homem honesto e sensato e seguiria a tradição daquelas terras que dizia que um senhor de valores criaria de forma digna seus filhos bastardos. Fui batizada como Eveleen e educada como seria apropriado a uma filha de um pequeno senhor, e além de aprender diversas coisas sobre caligrafia, história, religião, etiqueta, geografia, heráldica e outras destas erudições, fui educada na arte da música, arte que sempre ocupou o espaço mais especial dentro do meu coração. Ainda que nada me faltasse, meu pai mantinha sempre uma certa distância - talvez eu o envergonhasse, talvez ele fosse digno demais para demonstrar amor a uma filha bastarda, talvez eu ficasse mais parecida com a minha mãe a cada dia que passava.
Tinha uma vida confortável com quase tudo que eu queria, mas ainda assim, sentia inquietude em meu coração. A vida entre as paredes de pedra do castelo parecia monótona e já completamente escrita para mim, Faltava algo... era como que se eu sentisse a necessidade intermitente de atirar uma pedra em um lago tranquilo para ver as ondas formando-se em sua superfície. Nunca me comportei "da maneira adequada a uma dama", como diria minha governanta. Quase sempre eu me metia em problemas - problemas dos quais eu me livrava com um doce sorriso e um pedido de desculpas, pois sempre tive muita habilidade em persuadir e lidar com os sentimentos das pessoas... que aia conseguiria resistir a uma criança travessa com grandes olhos claros e um sorriso de orelha a orelha? Apesar de meu pai ser devoto de Pelor, descobri em segredo Olidammara e nutri uma simpatia secreta pelo deus do Caos - e sempre exasperei os clérigos e mestres com todos os meus "por quês".
Os anos da minha infância foram muito confortáveis até que meu pai decidiu casar-se com outra nobre. Um casamento adequado, motivado por interesses e estratégias claro, porém com uma esposa de verdade, uma mulher que Lorde Lars poderia amar - e que poderia lhe dar filhos dignos. Sempre tive uma boa relação com meus meio-irmãos, mas Lady Alendronel me desprezava, desde a primeira vista, sendo imune aos meus encantos de criança bonita, inteligente e carismática. A jovem esposa do meu pai sempre viu em mim uma ameaça, e apesar de pouco poder fazer para retirar meu conforto ou a minha posição, não hesitava em lançar-me palavras ácidas pelas costas do marido. Lady Alendronel foi o estopim que mudou a minha vida, e apesar de toda a inconveniência que ela já me causou, até sinto-me grata pelo que ela veio a fazer.
Eu era uma ameaça conforme eu crescia - parecida com a vagabunda que tinha sido a minha mãe e ainda por cima, meu comportamento era inapropriado demais. Lady Alendronel não podia me tolerar naquela casa que era sua para governar - portanto, precisava livrar-se de mim. O jeito mais simples foi convencer meu pai que uma filha que estava atingindo a maturidade, mesmo que fosse bastarda, podia render uma boa aliança com alguém (claro, Lady Alendronel jamais me daria um casamento com um nobre, já que eu era uma bastarda e jamais poderia me igualar a ela em status... mas qualquer casamento serviria). Foi ela mesma quem achou um comandante vassalo de seu pai, e que convenceu meu pai a preparar os arranjos para que eu viajasse com o dote o quanto antes fosse possível para conhecer meu novo marido, casar e nunca mais aparecer na sua frente novamente.
Então seria aquilo: o destino pretendia reservar para a mim a vida de esposa e mãe, cuidando da minha própria casa, parindo meus filhos e envelhecendo enclausurada. Nada parecido com o que eu sentia que poderia ser o meu caminho, de forma alguma similar com o que eu poderia ambicionar. De repente, eu senti que não poderia fazer mais aquilo e que a casa do meu pai não era nem nunca tinha sido um lar. Eu precisava partir. Juntei meu dote (que, afinal de contas, pertencia-me então, já que eu decidia ser a minha dona ao invés de pertencer a um marido) e deixei uma nota curta para meu pai, sem perceber que era muito parecida com a que ele recebera um dia: "Desculpe desapontá-lo, mas meu coração é livre e eu jamais poderei corresponder ao que você espera de mim."
Roubei um cavalo e fugi, na calada da noite, para o mais longe que eu pude fugir. Se Lorde Lars me procurou eu não sei, mas temia que homens fossem enviados ao meu encalço e por isso quando eu finalmente achei um lugar para parar não ousei usar o nome que ele havia me dado. Eveleen havia ficado para trás junto com o meu bilhete, e por isso, adotei o nome pelo qual somente minhas aias me chamavam - Evey. Alguns anos mais tarde somei ao novo nome a minha alcunha, Lainhûr*, que em élfico significa coração selvagem.
Meu dinheiro me sustentou por um tempo, mas mesmo assim, eu precisava de algo para fazer. Não me rebaixaria ao nível de me prostituir, já que meu compromisso era com a minha liberdade e com o meu livre arbítrio. Ainda assim, o mundo das tavernas, bares e bordéis era convidativo - e aproveitando meus talentos, ofereci meus serviços como menestrel. Construi minha fama através do meu esforço e trabalho árduo, e foi através dos meus méritos que cheguei onde cheguei hoje.
Estou em Abstein(*) há 10 anos já. Estabeleci meu nome como barda e menestrel, o que me dá acesso a praticamente qualquer taverna onde eu queira ir - além de bons quartos, boa bebida, boa companhia e boas mesas para se jogar e apostar. Ainda que uma barda com tendências boêmias não seja exatamente bem vinda em salões mais dignos, tenho prática o suficiente com os nobres para saber como me infiltrar quase onde quer que eu vá - o que é muito útil e rende um ou outro serviço bem pago para ouvir e reunir conhecimento. Afinal, quem suspeitará daquele que conta as estórias?
E assim chega ao fim meu relato, meus caros ouvintes, uma vez que esta é uma história com páginas em branco ainda a serem preenchidas. Para onde minha história me levará, que palavras completarão minha canção? Isto só o tempo (ou meu bom amigo de todas as horas, meu caro Oliddamara) poderá dizer.
* Do sindarin: "lain" livre e "hûr" coração, espírito. Créditos pro Tolkien! ;)
Evey Lainhûr, elfa, barda, CN
FOR 16, DEX 22, CON 16, INT 18, SAB 18, CAR 24
Display: 1,60m, 50kg, cabelos ruivos, compridos, ondulados; olhos verdes, tatuagem tribal/espirais do ombro esquerdo até o cotovelo, tatuagem de Olidammara na região da escápula direita; armadura de couro estonado e batido no estilo de um sobretudo/corset dress; botas de cano longo (até a coxa) também de couro estonado e batido; manto do carisma (Verde escuro, com galões de prata decorando a barra e o pescoço e um fecho de prata polida trabalhada), chapéu de abas largas, castanho, com plumas vermelhas. Usa um arco longo composto e carrega consigo um alaúde.
domingo, 7 de agosto de 2011
Irina
Aqui a Irina Galanodel, do jeito que eu imaginei (com uma faca de caça, pq não descobri como colocar uma cimitarra naquela posição). Desenhado à mão/colorido no photoshop.
Boa semana pra vcs, e vamos voltar a jogar pq eu tenho saudades!!!!

Beijos,
Lari
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
A Águia

Pessoas, compartilhando algo do display da Irina com vcs =)
Tava assistindo o natgeo com a minha mãe ontem e achei algo sobre essa águia aí, a wedge-tail australian eagle, dourada e marrom, porte médio (a maior já vista chegava a 2,4m de envergadura), linda... achei o companheiro animal pra completar o display da Irina!
E quanto a nome... como eu não tenho criatividade, continua sendo "águia", mas estou aberta à sugestões e idéias XD
beijos pessoas, até a próxima sessão =)
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Kas e Lobo

Fonte: Oh-Magod
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
BG Liahra.
Agora que eu lembrei que eu nunca escrevi a história da Liahra!
Desculpa gente, aí vai:
Quando Liahra ainda era um bebê, sua floresta foi destruida, e todos morreram, exceto ela. Alguém que passava pelos destroços do que um dia havia sido uma aldeia élfica ouviu o bebê chorando, e o deixou na porta do templo de Corellon, que se situava nas proximidades.
Liahra cresceu no templo e se formou uma clériga. Entretanto, nunca compreendeu a exclusão da sociedade. Ficar trancada num templo, orando pelo mundo, não o faria melhorar. Liahra então resolveu se atirar no tal lugar cheio de problemos, iniquidades e guerras, para lutar, e fazer o bem, em nome de Corellon.
Sempre ouvira dizer que os lugares mais cheios de problemas, iniquidades e guerras eram as tavernas, então entrou na primeira que encontrou: O Copo Sujo. Após alguns minutos lá dentro, conheceu muitas pessoas interessantes e boas, muito mais felizes, altruístas e humildes do que muitos dos sacerdotes hipócritas, reclusos e arrogantes com quem conviveu por toda sua vida. Ficou deslumbrada ao ver como o mundo funcionava bem, com as pessoas interagindo, e como era bonito, feliz e divertido, e fez grandes amigos.
Agora ela tá numa viagem ca galera pra matá uns maluco que chegaram aloprando ae e dexaram geral atordoada na taverna. Bem loco!
xD
Beijos, amo vcs!
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Solo, Versus and Free-for-All! (BG Hael)
Sua mãe, professora de flauta da academia de Bantur, elegante e educada.
Sua infância foi à base de mimos, aulas, e festas, as quais não se sentia muito confortável devido ao seu físico "avantajado", por assim dizer...
Com 10 anos, seu pai insistiu em colocá-lo na academia militar de Bantur, para "perder os músculos abdominais". Não gostou da idéia, mas adotou o estilo do pai. Aulas de esgrima, tática, ética em batalha, filosofia... Como esperado pelo pai, atingiu o topo de sua classe em pouco tempo, sendo elogiado pelos professores, colegas, e todos à sua volta.
Durante uma das suas aulas de esgrima, foi atingido na cabeça por seu adversário, caindo inconsciente e sendo levado para a enfermaria. Lá, em meio aos tratamentos, um clérigo foi convocado para prestar atendimento, já que o garoto não acordava, independente das infusões, ervas, mandingas e trubiscos aplicados nos seus ferimentos. Chegando em frente ao garoto, o clérigo rezou, pediu e tentou, mas sua mágica não surtiu efeito algum no garoto. Então, deixaram-no "descansar", já que não conseguiram fazê-lo acordar, e seu ferimento parecia ter estancado.
Após a pancada inesperada, tudo tinha ficado preto, e Hael tinha acordado nu em uma sala com archotes acesos em volta, mas sem portas, janelas, ou algo discernível além das pedras no chão, paredes e teto. Em meio ao seu desespero, uma voz masculina forte e imponente diz: "Para sair dessa sala, você deve batalhar consigo mesmo, seus medos e angústias, e sair vitorioso. Sua força é apenas sua para usar, mas para fazê-lo, não pode ser por você. Hael, desesperado, começou a procurar saídas, alavancas, portas secretas, como aquelas dos contos os quais ouvia dos bardos que visitavam sua casa. Sem conseguir encontrar nada, desistiu.
Olhou, e estava em uma arena. Estava com calças, botas, e braceletes de couro. Do outro lado da arena, um homem com sua estatura, armadura de cota de malha, elmo, carregando uma espada longa e um escudo, corria em sua direção. Ouvindo gritos da platéia, mas olhando para a mesma, não via as pessoas, só sombras semi-transparentes. "Estou morto, e essa é minha punição por algo que não lembro de ter feito. Pois que seja, o enfrentarei, o vencerei, pois sou o melhor de todas minhas aulas! Da minha academia!!!" e correu em direção ao homem de armadura, desarmado, semi-nu, e sem estratégia alguma para mantê-lo vivo, acreditando estar morto. Aos primeiros golpes, Hael conseguiu desviar da espada e do escudo do homem, mas após o que pareceram horas de combate, sem conseguir encontrar uma brecha para atacar, e só conseguindo esquivar-se dos golpes, Hael começou a duvidar de si mesmo, e por fim, sentiu o aço da espada gelar-lhe o ventre, quando a estocada do desconhecido atravessou-lhe a barriga. Ao sentir o aço esquentando em seu ventre, e a lâmina sendo puxada para outra estocada, a voz de antes, forte e imponente toma um corpo, e diz "...você deve batalhar consigo mesmo, seus medos e angústias, e sair vitorioso. Sua força é apenas sua para usar, mas para fazê-lo, não pode ser por você. Derrote seus medos, e acorde."
O cenário muda, campo de batalha, centenas, milhares de corpos mortos, armadura pesada de batalha branca, espada larga embainhada nas costas, e um oponente do outro lado do campo. Sem pensar, Hael empunha a espada, toma posição, e grita sem saber o motivo, pois veio à cabeça: "Pela forçaaa!!!". E corre como nunca correu antes, sentindo os músculos das pernas estirarem sob o peso da armadura, os músculos dos braços quase se rompendo quando sua espada se choca contra o escudo do adversário em armadura negra reluzente... Após a batalha, os corpos mortos se levantam, empunham suas armas e uma batalha sem precedentes começa para Hael. O que pareciam segundos poderiam ser horas, dias, meses ou anos, mas ele não se importa. O que o marcava eram as palavras ditas em sua mente e, por isso, lutava.
Na enfermaria seu pai e sua mãe, junto dos melhores curandeiros, mandingueiros e médicos que o dinheiro poderia comprar, estavam abismados com coisas que não deveriam acontecer. Enquanto Hael resmungava e se debatia amarrado na cama, cicatrizes apareciam em seu peito, braços, pernas e rosto, como se tivesse lutado por anos a fio, mais anos do que sua idade, com uma gota de sangue saindo de cada cicatriz nova que aparecia. Clérigos e magos presentes não conseguiam sequer explicar o que acontecia ao garoto. A única coisa dita que veio a fazer algum sentido na hora foi uma velha curandeira, hoje falecida, que falou: "Isso é um teste dos Deuses, devemos ter fé, e rezar para que ele passe...". Mas como bons céticos, os magos ignoraram a idosa. Os clérigos estavam frenéticos em seus encantamentos, preces e rezas para que o garoto acordasse, mas sem efeito nenhum.
Após a desistência de todos, seus pais deixaram a enfermaria da academia, e voltavam todos os dias, só para encontrar mais cicatrizes no filho, enquanto as enfermeiras molhavam panos e limpavam o sangue que começou a cair após o sétimo dia de "sono", uma gota de cada cicatriz. Após um mês, o garoto sentou na cama, gritou, colocou as mãos na barriga, como se tivesse
levado um golpe no estômago, e caiu em um sono mais profundo ainda.
Hael olhava para os lados e o número de inimigos que tinha derrotado tinha passado seus sonhos mais violentos. Ele
perdeu a conta na casa dos quarenta, cinquenta... mas pelo que via, o número de corpos despedaçados passava da casa das centenas,
enquanto a sombra da voz poderosa observava de cima. Quando o último foi derrubado, a sombra desceu na frente de Hael, que a atacou em vão, desistindo após ver que seus golpes ricocheteavam em alguma força. Ele então ouviu a sombra dizer: "Parabéns. Seus medos foram derrotados, um a um, cada um com seu custo em sangue pago. Agora, descanse. Após seu descanso, você começará sua nova vida. Meu nome é Kord. Não esqueça das provações passadas aqui, pois todas foram para algo maior.". E então, a sombra tomou forma como um homem grande, em armadura, com uma espada larga na cintura. Acenou para Hael, o qual devolveu o aceno com uma reverência, sem conseguir pronunciar palavra alguma, e o homem sumiu.
Seis anos depois, tratamentos, magias, ervas e trubiscos ainda não surtiam efeito, mas o sangue não caía mais de suas cicatrizes.
Hael tinha mudado. Ele tinha perdido seus "músculos abdominais" (segundo o pai), seu tom de pele tinha se abrandado, ficado mais claro, mais pálido. Cabelos cresceram, barba cresceu, mas foi aparada. As enfermeiras cuidavam dia e noite do garoto, que agora era um homem em sono eterno. Um dia, uma enfermeira encontrou Hael sentado na cama, olhando envolta, como se estivesse curioso, e o garoto pergunta: "Aonde estou?". A enfermeira correu como nunca correu em sua vida gritando "Hael acordou! O garoto adormecido acordou!!!". A balbúrdia que se seguiu foi algo digno de debandadas de guerra após uma derrota. Todas as enfermeiras, magos e clérigos foram ver, e seus pais, que estavam chegando, se perguntaram, aflitos, o que poderia ter acontecido para que todos corressem. Uma enfermeira a qual foi bruscamente interrompida em sua corrida disse "O garoto acordou!" e o pai e a mãe de Hael, incrédulos, correram com todos para o quarto onde Hael estava hospedado.
Após muitos exames, muitas opiniões, e muito choro por parte dos pais de Hael, o garoto foi liberado e o pai disse: "Descanse meu filho, você precisa. Semana que vem você retorna para a academia, para a alegria de seus colegas."
"Não pretendo voltar para a academia, Pai. Tive um sonho e vou seguir o que foi-me dito por Kord e correr em direção ao meu destino." Hael estava mudado, física e mentalmente. O pai que antes daria uma bronca filosófica e militar sobre o destino do filho, viu em seus olhos que não havia mentira no que ele disse e que, se fosse verdade e Kord realmente o tivesse "salvo", ele estaria bem aonde quer que estivesse.
Após chegar em casa, a festa de retorno milagroso, e a Partida para o Destino, Hael se encontrou com um amigo de seu Pai em um templo de Kord, pedindo ajuda divina para encontrar seu filho que havia sumido há mais de dez dias. O homem era Manden Doritz, amigo de seu velho pai, e Hael se ofereceu para encontrar o garoto. Manden ficou felicíssimo e prometeu uma enorme gratificação ao templo se seu filho fosse encontrado.
Antes dessa busca, Hael participou de escoltas de banqueiros, batalhas para recuperar vilas contra goblins, kobolds, orcs... Ganhando renome foi recrutado para escoltas de nobres, duques, condes, e mercadores inimaginavelmente ricos de outras regiões e acabou ganhando o sobrenome "Battlecrown, a Coroa da Batalha", devido à forma digna, imponente e perseverança que demonstrava toda vez que empunhava sua espada e sempre que o nome de Kord estava envolvido, seja a pedido do templo ou particulares.
Hoje, 19 anos, homem formado, cabeça forte e resoluta, Hael se encontra em uma caverna com Arthur Doritz, filho de Manden, amigo do pai. Mas ele não está só, ele tem colegas de batalha que são uma família no escuro de uma caverna...
Mas essa fica para a próxima...
domingo, 17 de outubro de 2010
Fraëa, a Barda
Certo dia há uns sessenta e poucos anos, minha tia Emel, conhecida como A Curandeira, voltou de suas andanças contando sobre um pobre casal halfling que não podia ter filhos. Ele, um adepto do templo de Yondalla, ela uma artesã de família nobre, algo neles a fez crer que seu filho seria, de certa forma, predestinado. Contou-me que sua história era sofrida e que resolveu ajudá-los. Ela sabia que se continuassem na cidade, vivendo preocupados em busca do filho, nunca teriam condições de conceber, portanto, calculou quanto valia as posses do casal, e disse a eles que a cura para o seu mal lhes custaria uma moeda de ouro.
Desesperados como estavam, o casal abriu mão de tudo o que tinham, porém, seus motivos não eram nobres, visavam adquirir o patrimônio da família dela. Emel entregou-lhes uma poção, que realmente seria capaz de curar qualquer motivo físico para que Garim não concebesse. Contudo, enquanto não tivessem na vida motivos nobres, Emel sabia que o Pai da Vida não lhes concederia o filho. Muitos anos se passaram, minha tia mantinha um olho junto aos dois, sempre que possível, e demorou alguns anos para acreditar que seus motivos pouco nobres alimentassem uma gestação.
Anos depois, parece que descobriram que ter um filho para ganhar dinheiro era mesquinho, e também que não precisavam disto para ser felizes. Ele curava as pessoas, ela fazia sua arte, ambos encontraram a felicidade em seus trabalhos, e descobriram um belo amor.
Mais ou menos nesta época, Emel decidiu que poderia dar aos pequenos a sua localização. Não teria sido difícil para eles encontrá-la, mas buscavam no local errado, eram meio tolos.
Conheci-os há cerca de 20 anos, eram um belo casal (não no sentido estético, pois não saberia dizer), percebi por suas vozes que eram boas pessoas. Chegaram no outono, e Emel passou um de seus maiores períodos distante da Vila. Fiquei preocupada, mas não havia muito que eu, uma elfa cega pudesse fazer. Durante este período, percebi que o casal estava muito feliz, e foram muito bem recebidos por meu povo. Lhes fizeram uma casa, e depois de quase um ano, no final do outono seguinte, nasceu Kas.
Infelizmente a sorte de Garim e Nom não foi das mais belas, ela não chegou a amamentar, e ele entrou em um estado de tristeza tão profundo, que sequer aproveitou os dois anos em que conviveu com o filho.
Emel, que chegou a tempo de salvar Kas, e dar a Garim um enterro digno, sabia de seu dever para com aquela criança, e decidiu criá-lo como filho. A principio era estranho ter um primo que se desenvolvia tão rápido. Nós elfos viramos adultos aos 110 anos e, aparentemente, aos 17 ele já era um homem feito. Todos diziam que seu porte e sua aparência lembravam os de um elfo, mas isso nunca saberei.
Durante a criação de Kas, em muitos momentos me senti preterida. Minha tia dizia que ele tinha talento, que seria um grande curandeiro. Ela dizia que eu não era muito sábia, por não saber valorar os dons do pequeno (que, dizem, é bem alto para sua raça). Nos tornamos amigos e, por volta de seus 17 anos, nos tornamos mais que isto. Nesta época, incentivado por Emel, ele embrenhou-se no mato, e fez por lá o Ritual da Conexão, não sei explicar exatamente o que é, mas dizem que após beber o chá, os deuses lhe mostram verdades.
Quando retornou, passou a me tratar de forma diferente, era mais meigo e doce do que antes costumara ser. Passou a despender mais tempo ouvindo minhas músicas e poemas. Disse que ficava fascinado com a forma como eu contava uma história, mas acho que era apenas uma forma de me ver sorrir. Dizia que meu sorriso iluminava o dia (estranho, pois todos me diziam que era o olhar dele que o fazia, diziam que tinha olhos e cabelos de sol, assim como me disseram que meus cabelos eram da cor da avelã, e meus olhos da cor das folhas de outono, antes de caírem).
Após o ritual, ele se tornou mais próximo, e ao mesmo tempo mais independente. Dizem que tem a ver com a tatuagem do rosto de Obad-Hai que apareceu em suas costas. Começou a fazer suas viagens para Bantur, e a passar cada vez mais tempo por lá, mas sem nunca passar mais de um mês sem me visitar. O que me tranquilizava era Lobo, que está sempre com ele.
O que me preocupa, é que há mais de um mês ele se foi, com seus novos companheiros de Bantur, atrás dos estranhos rastros que vinham sendo deixados na floresta. Emel me proibiu de sair da vila. Não fosse o escuro em que vivo, me sentiria humilhada, por ser mandada ficar em casa, aos 113 anos de idade.
Pergunto-me se meu pequeno está bem, mas não há nada que possa fazer. Meu coração se aperta a cada pensamento, e minhas músicas e poemas estão cada vez mais tristes e angustiados. Espero ter noticias em breve.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
El Kas, a Avelã, a Lua e o Livro.
No momento seguinte, me vi andando por mais um daqueles odiados corredores escuros. Estranhamente Lobo caminhava ao meu lado, e não embaixo de mim como é nosso costume, e estávamos um pouco mais atrás de nosso recente grupo de amigos. Éramos ao todo 8, meu inconsciente me mostrou que faltava o Halfling que salvamos, mas estranhamente não dei importância ao fato, e segui com o grupo. Não se via, junto ao grupo ou longe dele, a existência de nenhuma luz, mas todos enxergávamos como se estivéssemos andando numa noite de luar.
Lembro-me bem. Chantal foi a primeira. Ouvimos uma música, que me é familiar, mas na hora não recordei e, de forma estranha, Chantal saiu em disparada pelo túnel como se tivesse avistado a saída. Não fosse o hábito, talvez me espantasse pela falta de reação do grupo. Seguindo em frente percebemos que Chantal não estava em parte alguma mas, afinal, eu já estava habituado aos efeitos da Conexão, e sabia que nada de mal lhe tinha acontecido. Um a um meus companheiros se foram, incluindo Lobo, meu fiel amigo, que foi o próximo, acompanhado de Irina. Ouvimos outra música, que me lembrou o Pai da Vida e, no momento seguinte, os dois correram como Chantal havia feito. Outras músicas tocaram e Badin, Liara, Hael e Baco também se foram, um a um.
Continuei a caminhar, pelo tempo de onde não há tempo, e então eu ouvi a música e vi a luz. Desta luz, surgiu um raio, ou uma flecha, não sei dizer ao certo, vindo em minha direção. Sei que ocorreu num piscar de olhos, mas vi o trajeto e concluí que acabaria em meu peito, aonde agora eu tinha uma Lua, da qual me recordava vagamente. Milésimos, ou horas (desculpe-me, não há como precisar o tempo, quando se está no Mundo dos Dias), se passaram, e a flecha tocou meu peito, acertou em cheio uma avelã, presa em um colar de tranças roxas, exatamente acima da Lua. A avelã se abriu e deixou que dela caísse sua semente. Ao tocar o chão, o tremor de terra foi tão grande que me lembro de ter ficado estarrecido. Antes de cair me joguei ao chão, e estranhei quando caí em galhos de uma alta aveleira, e não no frio chão anão. De onde estava, através dos galhos, via apenas a lua que momentos antes estivera em meu peito. Nunca fui bom em escaladas, e no momento em que pensei nisso, avistei uma corda dourada, mais bonita que toda corda élfica que já vi. Havia um problema, nesta corda não haviam nós, também não haviam ranhuras, emendas nem nada que chamasse atenção aos meus olhos apressados, e me auxiliassem na descida.
Respirei fundo, segurei a corda e desci, com uma força surpreendente que eu sabia não possuir. Na descida reparei que a aveleira tinha escamas de mithrill, que cresciam sobre si como trepadeiras e, ao tocar o chão, senti meus pés molhados. Olhei então e notei que a aveleira nascia de um espelho, um espelho d’água. Sentia-me em uma sala fechada, mas o horizonte me parecia infinito, olhei então para a lua, que pingou seu brilho n’água e me mostrou, que a poucos metros, ou centímetros, existia um vale submerso que continha em seu centro uma fonte de luz.
Caminhei até lá, e me vi em cima da luz, como se um chão invisível nos separasse. Abaixei e da água bebi, e em mim a Lua pingou. Quando reparei, sem qualquer tremor, som ou outra demonstração, me vi dentro do vale, diante de um pedestal, que continha um livro e uma pena equilibrada em pé sobre ele. Tentei pegar a pena que virou uma mão e folheou o livro. Existiam tantas coisas nele escritas que precisaria de algumas vidas élficas para contar. Ao final das páginas, olho em volta e vejo o espelho. Não me vejo mais como era, sou um Elfo, e carrego em uma das mãos um cantil e, na outra, a pena que havia visto. Encho o cantil e guardo-o com carinho, junto com a pena, e caminho em direção à aveleira. Sento-me aos seus pés, e recolho do chão uma de suas escamas prateadas. Lembro-me da avelã que me salvou no corredor, olho para baixo e vejo-a pendendo sob o colar roxo e sobre a Lua em meu peito, olho para cima e percebo que voltei ao corredor, e estou ao lado de meus companheiros, como se anos, ou apenas minutos, de caminhada tivessem se passado.
Ao acordar achei engraçado como o grupo me olhava, e só então percebi a luminosidade prateada que emanava da Lua de Corelon em meu peito, iluminando com seu brilho prateado a lareira a minha frente eclipsando o fogo que nela existia. Olhei para trás e percebi como vinhas desenroscavam-se, do rosto de Obad-Hai às minhas costas, por meus braços e faziam crescer plantas por todo o quarto, na rocha pura e fria da tão conhecida e mal-quista masmorra.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Irina Galanodel, a ranger
Movido pela compaixão, o capitão daquele grupo concluiu que seria crueldade deixar a humana abandonada, à mercê de sua sorte. Assim, ainda que sob protestos de alguns dos seus companheiros, ele levou a jovem para sua vila, para que o seu destino fosse decidido pelo senhor daquele povo.
Leinion Galanodel era um elfo valoroso, e ninguém precisaria de provas de sua bondade e caráter, tampouco o líder daquela tribo, seu tio. O senhor daqueles elfos, movido também pela pena, determinou que a humana deveria permanecer com os elfos na floresta – mas somente pelo tempo necessário a sua recuperação.
Durante o tempo em que a humana passou naquele lugar, recebeu o nome de Adaniel – uma mera palavra élfica para “humana”. A maioria dos elfos a evitava, sendo ela uma estranha em seu lar, e o único que a tratava com gentileza e educação era Leinion. Ainda que a memória da moça não voltasse, ela parecia bem disposta e feliz, e a sua vivacidade, somada à efemeridade que os humanos representavam, terminou por encantar o elfo.
Quando o envolvimento entre Leinion e Adaniel tornou-se próximo demais para ser envolvido, o senhor élfico chamou Leinion. Após uma conversa longa, de cujo conteúdo muito pouco os outros elfos souberam, Leinion partiu com Adaniel para longe das florestas. Uma tristeza abateu-se sobre o chefe, mas naquela situação, ele não poderia permitir que o ser que crescia no ventre da humana vivesse entre os seus: mesmo que fosse filho de um parente querido.
Leinion e Adaniel decidiram partir para Norford, o único lugar em Annuil que os aceitaria sem grandes problemas. Na sua viagem de partida, ainda nas florestas em Arad, o casal foi atacado por um Bar’Lgura e Leinion ficou para trás, garantindo a fuga de sua amada e da criança que ela esperava. Leinion fracassou nessa tentativa, não antes que o som de combate atraísse os outros elfos, que terminaram por destruir a criatura e salvar Adaniel de um destino tão terrível quanto o de Leinion.
Adaniel foi levada novamente para a vila, e o senhor élfico, ao saber do acontecido, ficou com o coração partido, sentindo-se responsável pela morte de Leinion. Decidiu que o mínimo que poderia fazer era aceitar o que antes havia sido repudiado, e cuidar da humana e do bebê. Adaniel viveu para dar a luz à criança, batizada de Irina, mas já não havia nela muita vontade de viver: o único amigo que tinha havia perecido para salvá-la e ela sequer sabia quem era. Assim, com a filha ainda pequena, Adaniel caiu doente e faleceu, deixando o encargo da criação de Irina para os elfos.
Crescer entre os seus meios-parentes não foi fácil. Ainda que poucos tivessem a ousadia de falar, ninguém tolerava muito bem a presença do sangue impuro da menina (hostilidades que a jovem não tardava em responder e revidar...). Irina era um ser inferior, que não possuía a mesma graça, leveza e magia dos elfos, alta demais, desajeitada demais para os padrões dos elfos. A meio-elfa era lenta em seus aprendizados e crescia desmasiadamente rápido. Foi com dificuldade que aprendeu o idioma dos elfos e ainda mantinha um sotaque que soava quase um insulto para seus tutores. Não demorou muito para que os anciões desistissem de ensinar a ela um conhecimento mais acadêmico e concordassem que seria melhor guiá-la para um ofício mais simples. Assim, durante a adolescência, Irina começou a acompanhar os rangers em suas incursões e a aprender deles o ofício.
Apesar de insolente e teimosa, Irina não era de todo uma má pessoa. Angustiava-lhe o fato de ser diferente - e não tão boa - quanto os outros elfos, e ela ansiava por uma oportunidade de mostrar seu valor. Saber que estava aprendendo a fazer as mesmas coisas que seu pai havia feito a enchiam de orgulho, e uma esperança de que ela pudesse mostrar seu valor enquanto ranger cresceu, fazendo com que Irina se dedicasse aos ensinamentos.
No entanto, nada do que ela fizesse jamais faria com que os outros elfos a aceitassem. Para eles, jamais importaria o quão boa ela fosse - sempre seria uma "meio-humana". Desistindo da intolerância nas florestas dos elfos, Irina partiu para algum outro lugar, onde ela pudesse demonstrar seu valor e ficar livre de seus anseios - e que lugar melhor do que entre humanos? Assim, Irina partiu para a cosmopolita Bantur.
Livre e independente para fazer o que quisesse, a ranger tornou-se diferente em Bantur. Ainda insolente, Irina tornou-se altiva e orgulhosa, com um quê de prepotência e poucos pendores para ignorar desafios. Como aprendeu a ser uma ranger com os elfos silvestres, ela acredita ser superior em perícia aos rangers humanos. Irina não demorou para aprender a aproveitar a vida em Bantur, e quando não está caçando ou guiando pessoas pela florestas, a ranger pode ser vista contando vantagem e bebendo uma boa cerveja no Copo Sujo.
(Observação: A Irina está em Bantur ainda não faz um ano...)
domingo, 12 de setembro de 2010
Bem Vindo ao Copo Sujo.
Começou a treinar a partir do momento em que suas pernas o sustentaram, e seus ouvidos entendiam o que lhe era dito, apesar de nem sempre o ouvido significar obedecido. A história começa quando o pequeno Adron ganhou o apelido de "Inquieto".
Cinco anos de idade, sala de castigos, fechada, escura, úmida. Quinze horas de meditação e uma semana de silêncio por "flatular" no horário de meditação, tirando a atenção dos outros garotos, e fazendo-os saírem da sala devido ao mau-cheiro. Afinal, legumes, legumes e legumes uma hora fazem mal. "Antes para fora do que para dentro" dizia o Grão-Mestre, mas não acho que se referia a gases.
Oito anos de idade, um mês de isolamento, e duas semanas vendado por ler pergaminhos de artes marciais muito avançados, e tentar aprendê-los sem permissão nem supervisão dos mestres, nas altas horas da madrugada, na ala de refeição e se machucar quebrando uma cadeira. "Quanto mais conhecimento, melhor", dizia o Grão-Mestre, mas não acho que se referia à coisas as quais não lhe são destinadas, principalmente no horário e local escolhidos.
Treze anos de idade, pátio principal, horário de treino. Um colega de treino com quatro costelas quebradas, tossindo sangue, e não fazendo sentido nenhum no que dizia. Três meses com mãos e pés acorrentados, sem poder treinar, carregando 100 quilos de ferro aonde fosse. "Se você tem força, use-a para os fins certos." dizia o Grão-Mestre, mas acho que vingança por puxarem minhas cuecas não era motivo.
Quinze anos de idade. Quarto do Grão-Mestre. Uma carta. Uma trouxa de roupas. Uma prece entalhada na forma de uma estátua (se é que pode se chamar um toco bruscamente lascado com uma adaga de estátua). O menino Adron se torna homem ao ouvir o Grão-Mestre dizer:
-Adron, você está incumbido de uma missão IMPORTANTÍSSIMA, a qual deve ser levada a sério, como o homem o qual você se tornou hoje, quinze anos após encontrarmos seu berço na porta do mosteiro. Você deve encontrar um artefato raríssimo, e trazê-lo devolta aos seus irmãos, demonstrar seu uso, sua força, seu poder, e dele utilizá-lo para fazê-los entenderem que a calma, e a espera, fazem de um pássaro o maior predador desse mundo. O nome do artefato é Paciência.
Adron aperta seu estômago, se inclina para frente, cai de joelhos... E ri. Ri alto. Com gosto. Vontade. Prazer. Não se lembra de ter rido com tanto gosto, nem quando peidou no salão e os irmãos saíram praticamente vomitando devido ao excesso de repolhos no almoço. Quando consegue recobrar seu fôlego, cinco minutos depois, percebe que o Grão-Mestre Wutai não está esboçando o sorriso que esboçava quando fazia gracinhas. Ele está falando sério.
-Sifu Wutai, -disse Adron- não quero ir embora. Se for, posso ser tentado pelos demônios externos a não voltar. A cair nos vícios. A arranjar uma mulher, um filho, um lar. Tenho medo, Mestre. Medo de não querer voltar.
-Adron, hoje nomeio-te "O Pássaro Inquieto", por não conseguir manter-se parado em momento algum, em não prestar atenção em metade do que vos digo, e em temer retornar para casa. Pegue suas coisas, e só retorne quando puder comprovar que sua maior virtude aflorou.
São oito horas da noite, o sol se pôs quando a cena acima ocorreu. Adron saiu do quarto do Grão-Mestre com uma reverência mais demorada que o normal, e seguiu até seu quarto. Deitou-se, e adormeceu.
Com o sino da manhã, Sifu Maeron, um Anão de uniforme veio acordá-lo. "-De pé moleque, você tem que ir antes dos outros acordarem. E uma boa parte deles já está em pé. E boa viagem".
Juntou suas coisas, comeu o desjejum ralo, pão, água, e uma fatia de queijo, oferecida geralmente à viajantes, e saiu pela porta. No portão do mosteiro, Sifu Wutai esperava, com uma módica quantia em moedas, "despesas de viagem, espero que ajude", e seguiu seu rumo mosteiro adentro.
Desceu a escada da montanha com passos pesados. Chegou ao rio, um barco ancorado, pediu carona rio acima, o bom elfo aceitou ao preço de uma moeda. "Uma moeda bem gasta"...
Chegou numa vila enorme. Ouviu histórias de viajantes. O nome da vila que não era vila era Bantur. Cidade Grande. GRANDE. Gente estranha, cheiro incomum. Excrementos, fumaça, perfumes das moças com roupas provocantes (apertou firmemente as moedas no puído bolso, rezando para não usá-las. Não para isso). Chegou num local cuja placa acima da porta era uma Caneca. Entrou, farejando algo azedo, parecido com vômito. E sujeira. Muita sujeira. O que viu, foi a cena mais linda e apavorante da sua vida. Pessoas pulando em mesas, cadeiras, tocando instrumentos, cantando canções, gritando, falando, cuspindo e brigando.
O fascínio de tal cena não pode ser descrito com palavras tão frugais e sem peso, pensou Adron (pensei eu. Adoro terceira pessoa). Chegou no balcão, apresentou-se e pediu abrigo para um viajante em busca de Paciência. Gordo, alto, careca, camiseta suja, um pano imundo na mão, esfregando o interior de um caneco em estado lastimável do outro lado do balcão: "Largue suas coisas lá atrás, na cozinha, e venha aqui para trás do balcão. Tenho que separar o Bozom e o imbecil do Areth, estão brigando por cerveja de novo. Meu nome é Bob, ele é Baco. Bem-vindo ao Copo Sujo."
E assim começou a correria pelo ouro de cada caneca tomada, cerveja de qualidade (duvidosa, mas gostosa), e risadas, confusões, explosões de um Baco bêbado sem controle das mãos e palavras estranhas que solta e parecem queimar coisas... Ao Copo Sujo, e além...
*PS: A Aventura se passa um ano após minha chegada no Copo Sujo.*
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Quer saber da Wis Ig? Eu morei 15 anos num templo, e um ano trabalhando em um bar, tendo que atender estranhos, malandros e o caralho a quatro de gente estranha. Força? Carregar barris de cerveja. Dex? Não derrubar os barris de cerveja (Bob dói). Con? Acorde às oito da manhã, abrindo um bar, e vá dormir às 2 da manhã, fechando um bar. Cha? Não preciso, trabalho num bar pra pobre, não pra rico. ;] Int? Contar moedas, lembrar pedidos.
Serve assim?
Baco, o Patife

Existe em Bantur, uma estalagem não muito luxuosa que é popularmente conhecida como Copo Sujo. O nome real já caiu em desuso há semanas e o proprietário, Bob, até que gostou do apelido. A clientela é fiel e agora também sente um carinho especial pelo lugar, pois "ajudou" a nomeá-lo. A verdade, porém, é que o nome foi criado pelos seus dois garçons: Inquieto e Patife.
A história que vim lhes contar não é a história do Copo Sujo. Eu vim lhes apresentar o Patife.
Seu nome verdadeiro é Baco Grogan. Seu passado, desconhecido pela maioria, não é nada do que se imagina para um simples servente de bar. Muito pouco tempo atrás ele era um dos alunos da Academia Real de Magia e frequentava os melhores salões da cidade...
Desculpem. Estou me atravessando. Deixem eu começar a história pelo tempo correto: o ínicio.
Baco nasceu em um dia ensolarado, pouco depois do almoço. Seu parto foi totalmente sem complicações e o bebê era perfeitamente saudável (de fato, era até levemente rechonchudo). Seu pai, um primo direto do Rei, deu uma festa de 5 dias para comemorar o nascimento de seu primeiro filho homem. Presentes vieram de vários lugares de Arad e a criança foi apresentada em praça pública. Seu berço era literalmente de ouro.
Como não poderia deixar de ser, sua infância foi maravilhosa. O menino tinha servos particulares que lhe traziam as guloseimas que pedia. Tinha brinquedos que a maioria das crianças nem sabem que existem. Seus pais eram um ótimo exemplo de péssimos educadores e foi uma sorte tremenda o garoto não ser mimado. O único incidente marcante de sua infância foi a explosão do castelo, do qual não se recorda muito.
Desde pequeno, Baco demonstrava grande inteligência. Adorava quebra-cabeças e gostava de ouvir os adultos fazendo charadas. Lia bastante e fazia perguntas capciosas aos pais, mas não gostava de ficar muito tempo em uma sala de aula ouvindo professores palestrando. Sempre teve muita vontade de conhecer o mundo por si mesmo.
A melhor oportunidade apareceu quando foi ingressado na Academia. Obviamente não levava jeito para a vida militar, pois nunca foi uma criança muito ativa e tinha um gosto muito grande pela hora do jantar. Seus pais esperavam que a Academia fosse lhe ensinar disciplina, mas estavam terrivelmente enganados. Logo nos primeiros dias, Baco já se juntou à turma do fundão e foram conhecer os prazeres da vida noturna.
No dia seguinte, o patife acordou em um colchão estranho (provavelmente cheio de piolhos), com uma mulher estranha a seu lado e a cabeça doendo terrivelmente. Foi provavelmente o momento mais feliz da vida do garoto (teria sido a noite anterior, mas ele não se lembra dela). Ele descobriu que não tinha sido feito para as danças regradas do Salão do Rei, tinha sido feito para os arrasta-pés das tabernas.
Não demorou muito para descobrir que não era bem visto pelos professores. A maioria dos mestres simplesmente lhe desprezava e alguns se exasperavam com a falta de aptidão do garoto (principalmente Alec, o Necromante e Farah, a Encantadora). Contudo, era apenas o mestre de Evocações que realmente odiava o nosso jovem protagonista. Não deixava escapar uma oportunidade para humilhá-lo e lhe aplicava detenções sempre que possível. Não ajudava em nada o fato de que o garoto tinha realmente o dom para esta matéria. Obviamente o sentimento era mútuo e, depois de alguns anos, o garoto foi pego colocando fogo nas vestes do professor. A expulsão foi imediata e o banimento inevitável. A carta de dispensa não poderia ser mais clara: "Recomendamos que este aluno não retorne à Instituição".
Ao retornar para casa, Baco foi recebido por um pai irado e uma mãe desapontada. Palavras rudes foram trocadas e ameaças foram feitas com vozes exaltadas. Ao final de uma longa hora, o filho estava na rua com uma trouxa de roupas e o pouco dinheiro que tinha guardado, o pai estava fumegando com a ousadia do rapaz e a mãe estava horrorizada por seu filho ter se rebelado.
Desde então, o Patife está morando no segundo andar da estalagem citada no começo do texto e lavando copos para pagar a comida do mês. Se querem saber como ele recebeu o apelido, esperem as próximas edições.
El Kas, A Metade
Nom apaixonou-se por Garim, e ela por ele, que fez o pedido formal de casamento ao chefe da família Nar, que acusou-o de estar interessado em suas posses. Nom, ofendido, diz a ele que casaria com Garim mesmo sem ganhar um grão de poeira sequer de dote. Contudo, depois de muita relutância do chefe da família Nar, Garim casou-se com Nom, mas, com a condição, imposta pela Sra. Nar, de que receberia o dote após o nascimento do primeiro filho.
Muitos anos se passaram sem que o casal conseguisse gerar um filho, o casal não passava necessidades, mas tinha uma vida difícil e humilde, até quando surgiu na cidade uma Curandeira, que disse ter a solução de seus problemas, em troca de uma moeda de ouro, o que custou, no fim das contas, todo o patrimônio do casal. Esta Curandeira fez então uma poção, e entregou para que os dois bebessem, e partiu.
Após algum tempo, chegaram a conclusão de que foram enganados, e, agora sem patrimônio, tiveram que sair em busca de sustento em outro local. A família Nom, em repúdio à “estupidez” do casal, deserdou Garim, dizendo que alguém tão tola, capaz de cair em tal conversa fiada, não seria digna de ter sequer uma parcela de suas propriedades. Desolados e sem recursos, viajaram de cidade em cidade buscando informações sobre a Curandeira, da qual sequer sabiam o nome. Contudo, Garim, com seus dotes de artista, representou com esmero a Curandeira, de traços élficos, estranhos chifres de cervo, cabelos e olhos acinzentados e estatura mediana, trajando roupas simples, que pareciam bordadas a ouro, em seu porte de rainha.
A busca pela Curandeira durou anos, e o casal descobriu que realmente não precisava do dote prometido para ser feliz, Nom se tornou um curandeiro respeitaval por onde seguia, e Garim uma artesã competente, so lhes faltava mesmo o filho, para tudo estar perfeito. Quando descobriram o paradeiro da Curandeira, seguiram para a floresta dos elfos, por onde circundavam havia décadas, sem nunca, sequer, pensar em entrar (de fato, não se pode julgar os Nar por condenarem a tolice do casal).
Ao chegarem na vila onde diziam viver a Curandeira, foram informados de que a mesma estava em campanha, que retornaria em breve, e que seriam bem vindos a esperar por ela. Esta espera durou onze meses, e, no fim do outono, El Garim deu Luz à Kas. Contudo, devido a sua idade avançada, Nom teve que escolher entre a vida da mulher e do filho, há tanto desejado.
Nom escolheu salvar Kas, atendendo às suplicas de Garim. Neste instante, a Curandeira, recém chegada à vila, é informada do que está se passando na casa dos pequenos. Apressada, chega ao local, e encontra Garim morta, com a criança nos braços, e Nom aos prantos. A Curandeira cuida da criança, e dos preparativos para o enterro, enquanto o povo da vila consola Nom. Após o enterro, Nom é convidado pelos elfos para que ali more, e crie seu filho. Nom aceita, mas, após a morte de Garim, reinou sobre ele uma apatia mortal, que o levou a definhar gradativamente.
Por fim, às vésperas do segundo aniversario de Kas, num dia em que a chuva parecia ser o choro dos céus, Nom falece, deixando o pobre Kas ao seu próprio destino. A Curandeira, por se sentir responsável pelo destino da criança, resolve cria-lo como filho, e ensinar-lhe a profissão que ela e seu pai exerciam.
Na adolescência, Kas interessou-se mais pelo estudo das ervas, da alquimia e dos psicoativos, quando descobriu seus poderes mágicos. Aprendeu com a Curandeira a se deixar controlar pela magia, seguir seu fluxo e sua vontade. Aos 17 anos, fez, sozinho, seu primeiro ritual de conexão, onde ganhou, de Obad-Hai, sua imagem, que tornou-se sua fonte de poder. E assim começa a história de El Kas, A Metade.
Druida lvl 1 Comp. Animal: Lobo
Raça: Halfling - Altos Pequeninos (considerado por ele e seu povo como elfo)
Características: 1,30m, 25kg, Cabelos Loiros e Olhos Ambar
Divindade: Obad-Hai (Tatuagem nas costas)
Str 11 Int 15
Dex 14 Sab 16
Con 15 Car 11
Display: Sakkat (Chapéu de palha), Cachimbo, Roupas Leves, com motivos Elficos e Tons de Verde e Sandalhas de Palha.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Backgrounds...
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Background de uma outra personagem...
Não deixem de conferir: Camisetas da mesa do Fino!!! (E votem em Blanchefort la no link ;x sem esquecer de checar as outras cidades e)
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